Uma coisa é certa: os pais sofrem muito mais…

Nos primeiros dois anos de vida a criança não deve comer alimentos industrializados ou guloseimas, independente de ter ou não APLV. O que diferencia as crianças com ou sem APLV é o rigor com os utensílios, contatos diretos e indiretos e os traços e estes cuidados ficam por conta dos pais.

Dizer não é necessário caso seu filho queira bebericar um copo de cerveja, caso seu filho esteja em uma situação de risco ou caso queira comer um iorgute antes do momento apropriado, seja pela APLV, seja porque os pais querem manter um padrão saudável nos primeiros dois anos de vida que pode mudar a vida do seu filho no futuro (ver o item “O que tem de bom na alergia alimentar”).

Há pais que dizem NÃO com segurança, sem culpa e normalmente transmitem ao filho esta segurança necessária para seu desenvolvimento. É preciso de informação para perder o medo de dizer NÃO.

Há pais que dizem NÃO cheios de culpa, com a ideia equivocada de privação, pois possuem pena do filho. Acham que o filho vai “aguar”…

“Aguar” NÃO EXISTE, não existe no dicionário, não existe na prática, não quer dizer NADA, não é real, é apenas uma ilusão não fundamentada existente unicamente na mente de algumas pessoas.

Não é preciso ter pena do filho pela restrição alimentar. Seu filho não conhece o sabor de alimentos que nunca comeu e NÃO SOFRE POR NÃO COMER. Seria restrição não oferecer um “sushi” para um lactente no Japão, mas aqui não…

Antes dos 2-3 anos não há uma consciência elaborada destas restrições e após esta idade, mantenha um diálogo honesto com a criança. Alguns usam óculos, outros aparelhos, outros precisam de cadeira de rodas, outros de injeções ou remédios diários, outros não podem brincar e pular muito. A criança com APLV pode viver normalmente e ainda comer alimentos gostosos sim! É uma boa oportunidade para alguns pais aprenderem com seus filhos!

Os problemas relacionados a dizer NÃO estão na cabeça dos pais e não nas crianças. A maioria das guloseimas de hoje foram “inventadas” apenas muito recentemente na história da humanidade.

É mais difícil claro na criança maior que já possui seus hábitos alimentares e é obrigado a modificar sua dieta por um diagnóstico mais tardio de APLV. Quanto pior for o hábito alimentar da criança maior, maior será a mudança alimentar imposta pela alergia.

As vezes o acompanhamento psicológico de crianças em idade pré-escolar e escolar ou de pais pode ser essencial no enfrentamento e aceitação deste “mundo da alergia”.

Mais complicado é dizer não para os familiares, mas a boa comunicação e informação auxiliam muito nesta tarefa às vezes desagradável.

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