Refluxo é sempre por alergia

Uma coisa é refluxo (presente em todos os bebês) e outra coisa é Doença do Refluxo Gastroesofágico (quando o refluxo é tão intenso, a ponto de causar alteração na qualidade de vida do bebê). Veja que estamos falando da alteração da qualidade de vida do bebê e não na qualidade de vida dos pais, isto porque não há bebê que se “comporte” dormindo a noite toda, que não tenha “gases”, que não chore, que não regurgite e que não nos canse ou nos preocupe. Assim, é muito importante que o pediatra avalie todos os detalhes e isso não se consegue com apenas 20 minutos de consulta.

Grande parte dos lactentes apresentam regurgitação que é fisiológica nos primeiros meses de vida, com aumento entre 2-4 meses e sem sintomas de complicações ou comprometimento nutricional (perda de peso, irritabilidade intensa, cólicas, sintomas respiratórios). Entre 3 e 4 meses de vida, é descrito que 70% dos lactentes apresentam sintomas de refluxo.

Em alguns casos a criança com alergia às proteínas do leite de vaca desenvolvem alterações motoras no trato digestório superior, com redução do esvaziamento gástrico, o que promove piora do refluxo. Por isso muitos sintomas de APLV são semelhantes à doença do refluxo: irritabilidade, recusa alimentar, náusea, vômitos, regurgitação, anemia e distúrbios do sono.

Assim em casos de refluxo intenso e que comprometem a qualidade de vida da criança, ou seja, quando existe a doença do refluxo gastroesofágico, deve-se sempre pensar na possibilidade de APLV como causador, submetendo a criança a um período de pelo menos 2 semanas de dieta de exclusão para confirmar ou descartar esta hipótese diagnóstica. Se o lactente estiver em uso de fórmula, deve-se tentar uma fórmula apropriada e se em aleitamento exclusivo a mãe deve realizar a dieta de exclusão total. Esta conduta evita a exposição desnecessária à medicamentos que não são isentos de efeitos colaterais.

4 thoughts on “Refluxo é sempre por alergia

  1. Juliana Carneiro
    1

    Boa tarde Dr. Magno!
    Gostaria de uma opinião.
    Minha filha Lara tem 3 m 28d.
    Ela foi diagnosticada com refluxo, fez o tratamento com Label, um mês depois quando voltei na consulta a pediatra ( n é especialista em gastro) falou q eu poderia reduzir o medicamento é q se eu percebesse melhora eu poderia parar de dar. Então eu parei.
    Procurei uma especialista para saber se realmente o tratamento foi eficaz e se estava tudo normalizado. Porém quando eu amamentei a Lara na frente da pediatra, ela na mesma hora observou q o refluxo não foi tratado, pois a Lara mamava inquietamente, largava o peito e chorava, não conseguindo mandar tranquila. Então voltamos com o Label.
    Em quanto tempo eu consigo ver uma melhora?
    Perguntei à respeito da APLV, mas primeiro tem q ver se ela melhora com o Label, certo!?
    Ela me pediu pra q eu evitasse alimentos que podem causar alergia. Reduzir leite e derivados e parar de comer castanhas. Na sua opinião é mesmo necessário?
    Obrigada.
    Juliana

    • 2

      Olá Juliana,

      Depende de várias variáveis.
      Não é possível com base na observação de uma mamada, fazer um diagnóstico inequívoco que se trata de refluxo ou APLV.
      A APLV pode ser uma causa do refluxo.
      Concentre-se no ganho de peso, no bem estar geral dela.
      O label não trata o refluxo neste caso, apenas aliviaria os sintomas.
      Já a dieta é algo que pode ser tentado. Mas na suspeita de APLV, é preciso retirar e não apenas diminuir.
      Desculpe não poder lhe dar mais detalhes.

      Muito obrigado. Se tiver qualquer sugestão de melhora, por favor nos informe. Abraço.

  2. 3

    Olá Dr.
    Meu filho de 20 dias começou a tomar fórmula aptamil premium , percebo que ele está inquieto durante o sono e também me parece que está tendo refluxo oculto, pois toda hora ele faz caretas e parece que vai vomitar mas não vomita, fica acordando toda hora . Durante o dia também acontece , chora um pouco depois de mamar. Poderia ser uma alergia a proteina do leite ?

    • 4

      Não é possível saber com base apenas no seu relato. Precisaríamos conhecer bem mais detalhes da história. Procure um bom gastropediatra na sua região.

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